ADCEFET-RJ envia conjunto de medidas para que Direção Geral adote diante de violência extrema
À Direção-Geral do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca
(CEFET/RJ)
Sobre Protocolo Escolar em Caso de Ataque de Violência Extrema a ser adotado no
CEFET-RJ
A ADCEFET/RJ vem, por meio deste ofício, manifestar profunda tristeza diante da tragédia que
vitimizou as servidoras Allane de Souza Pedrotti Mattos e Layse Costa Pinheiro, no dia 28 de
novembro de 2025. Estamos consternados e solidários às famílias, colegas, estudantes e a toda a
comunidade que hoje enfrenta dor, choque e luto.
O ocorrido não é um fato isolado, mas reflete um cenário nacional alarmante de múltiplas formas de
violências contra as mulheres — entre elas o feminicídio —, além da precarização das condições de
trabalho e do adoecimento mental que atravessam as instituições de ensino.
A violência extrema praticada ontem no Cefet, por um servidor contra duas servidoras — resultando no
falecimento destas e do próprio autor do atentado — abalou profundamente toda a comunidade
institucional e reforça a urgência de enfrentar, com seriedade, as múltiplas dimensões que envolvem
esse episódio trágico. Ressaltamos que se trata de um ataque perpetrado por alguém pertencente ao
quadro da instituição, o que evidencia a necessidade de medidas estruturantes que ultrapassem o
debate restrito à segurança física, contemplando políticas efetivas de prevenção, cuidado, acolhimento
e acompanhamento nas relações de trabalho.
Este sindicato reafirma sua solidariedade às famílias, colegas e estudantes e, diante da gravidade do
ocorrido, apresenta as exigências a seguir, entendendo que a proteção da vida e a promoção de um
ambiente institucional saudável devem ser prioridades inegociáveis. Isso inclui o acolhimento
psicossocial de familiares, amigos, colegas de trabalho, servidores em geral, terceirizados e
estudantes, bem como a instauração de uma ampla comissão formada por diversos segmentos da
comunidade escolar — sindicatos, entidades representativas dos estudantes, NuGEDS, NEABI e
departamentos e instâncias centrais envolvidos no enfrentamento da crise — encarregada de elaborar
não apenas os protocolos de retorno, mas também diretrizes de prevenção contra ataques de extrema
violência às instituições escolares.
Os integrantes deste sindicato vêm prestando solidariedade aos familiares, amigos e à comunidade
escolar, colocando-se à disposição para oferecer apoio material, jurídico e psicológico aos familiares
das vítimas. Além disso, organizaremos informativos e homenagens às servidoras vitimadas,
reafirmando nosso compromisso com a memória, a justiça e o cuidado coletivo.
Nesse sentido, entendemos que a DIREG deve, além do decreto de luto oficial por cinco dias,
apresentar medidas para garantir uma resposta rápida, organizada e eficaz diante de incidentes
críticos que envolvam a segurança de toda a comunidade escolar, considerando, conforme orienta o
Manual de Elaboração de Protocolo Escolar em Caso de Ataque de Violência Extrema, do
Ministério da Educação (MEC, 2025):
- Suporte aos familiares das vítimas:
– Oferecer acompanhamento psicossocial e orientar quanto aos processos burocráticos relacionados
aos direitos das servidoras, incluindo seguro, auxílio-funeral, pensão por morte, inventário, acesso a
medicamentos gratuitos e orientações sobre depoimentos como testemunhas, conforme Lei
13.431/2017. - Elaboração de um plano gradual de retorno:
– Assegurar escuta protegida, adaptação pedagógica e medidas de acolhimento;
– Garantir apoio psicossocial por equipe multidisciplinar com experiência em traumas e tragédias
coletivas;
– Adequar práticas escolares para restaurar um ambiente seguro, acolhedor e capaz de prevenir
futuros episódios de violência. - Desenvolvimento de um plano de prevenção contra ataques de extrema violência, com
protocolos específicos para instituições de ensino. - Promoção de amplo debate e implementação de políticas efetivas de enfrentamento às
formas de violência que atravessam a realidade escolar, como machismo, misoginia, racismo,
sexismo, transfobia e assédios moral e sexual, tanto entre pares quanto entre servidores e estudantes. - Esclarecimento público, de forma ética e responsável, dos procedimentos adotados pela
gestão em relação ao servidor que cometeu os assassinatos, incluindo medidas administrativas e
judiciais, para que a comunidade possa compreender os elementos que antecederam a tragédia. - Mobilização de redes de apoio para garantir suporte psicossocial e atendimento multidisciplinar
contínuo à comunidade escolar. - Estabelecimento de uma estratégia responsável de comunicação institucional, incluindo:
– Definição de um porta-voz oficial para centralizar informações e evitar contradições;
– Proteção das vítimas e da comunidade, sem divulgação de nomes, imagens ou dados pessoais;
– Prevenção do efeito copycat, evitando detalhes sobre o ato, o agressor ou suas motivações;
– Emissão de mensagens institucionais centradas em acolhimento, luto e reconstrução coletiva;
– Reforço de canais oficiais de informação e apoio;
– Diálogo ético com imprensa e redes sociais, solicitando responsabilidade na cobertura;
– Orientação para que famílias e estudantes evitem entrevistas em momentos de vulnerabilidade;
– Criação de espaços de escuta protegida, sem exposição midiática;
– Comunicação transparente com a comunidade escolar sobre os fatos e sobre as ações que serão
tomadas;
– Orientações para lidar com boatos, notícias alarmistas e conteúdos ameaçadores no ambiente
digital. - Ações educativas e formativas:
Implementar, após a etapa de acolhimento psicossocial emergencial, ações educativas contínuas
voltadas à reflexão crítica e à formação de estudantes, servidores e terceirizados sobre as múltiplas
dimensões da violência no contexto escolar. Isso inclui promover debates, rodas de conversa,
campanhas e atividades pedagógicas que abordem temas como cultura de paz, resolução não violenta
de conflitos, equidade de gênero, combate ao machismo, misoginia, racismo, LGBTfobia e demais
formas de discriminação, bem como práticas de cuidado coletivo e fortalecimento de vínculos
comunitários. Tais ações devem integrar o currículo e a vida escolar de maneira sistemática,
contribuindo para a construção de um ambiente verdadeiramente seguro, acolhedor e comprometido
com a prevenção das violências.
Colocamo-nos à disposição para contribuir na construção coletiva dessas medidas, reafirmando nosso
compromisso com a defesa da vida, da dignidade das trabalhadoras e trabalhadores e da segurança
de toda a comunidade escolar.

